Eu sou o milior...

Eu sou o milior...

Muitos querem ser o melhor ou pelo menos estar entre os melhores nas suas devidas especializações. A busca da excelência, deve sim, permear as ações de todo aquele que está focado no seu desenvolvimento pessoal, crescimento e evolução pessoal e profissional. Sou admirador de todo aquele que atingiu, em sua respectiva área, qualquer que seja o grau de excelência. Gosto de acompanhar e tentar modelar alguma característica que seja dos grandes mestres e também comparar as diferentes posturas, valores e princípios de cada um deles, e, sobretudo, conhecer os bastidores do sucesso de cada um - pois é ali que reside o segredo...

Nos últimos dias, Gustavo, meu enteado de 12 anos, cômico como é, vem imitando e satirizando uma personalidade famosa dizendo, pelo menos umas 10 vezes ao dia: 
‘Sou o milior, posso não ser, mas na minha cabeça sou o milior’... 

E a risaiada se espalha ...

Então, instantaneamente, já comecei a refletir sobre tal pensamento,  para lhes propor esta reflexão.

Um dos requisitos básicos quando se fala de autodesenvolvimento é justamente o autoconhecimento. Saber de fato quem somos, nossos potenciais e limitações e em que grau estamos na evolução do nosso  potencial. Se por um lado um diz ‘eu sou o milior’. Outro, por contrário, diz: ’nunca procurei ser reconhecido como melhor do mundo; a mim basta estar entre os melhores’... Outros, mais ousados ainda, diriam ’sou melhor que o Pelé e o Maradona juntos!’. Alguns expectadores indignados diriam: meu Deus, quanta prepotência e falta de humildade... Outros ainda: é claro que tudo isso é jogo de marketing e autopromoção ostensiva... Ou ainda: é só ego inflado! É megalomania!

Antes de mais nada, precisamos entender de forma mais profunda o conceito de humildade, que segundo Hoauis, em uma de suas definições é: ‘ virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações, modéstia e simplicidade’. Deriva de ‘humus’ que significa: ‘terra fértil’.

A humildade, pode sim, reconhecer suas próprias qualidades, porém sem deixar de omitir suas limitações. O próprio mestre Jesus afirmou: “sou manso e humilde de coração.” Ser humilde é saber quem se é de fato e reconhecer o seu lugar e valor. Assim, é perfeitamente plausível alguém dizer humildemente: ‘sou bom no que faço’, mas quanto a dizer que é o melhor talvez fira, ‘de raspão’, a humildade, pois preciso sim valorizar minha autoestima e reconhecer minha real capacidade, expertise e maestria, mas também preciso reconhecê-la nos meus pares e honrar os meus mestres e antecessores...

Por isso, penso, que não basta que eu, ‘na minha cabeça’, seja o melhor’. Claro, isto pode ser, pra alguns, uma âncora, talvez um tônico para a autoestima frágil. Mas, é preciso se conscientizar que a nossa percepção é quase sempre relativa e enganosa. É necessário também que nossa expertise seja reconhecida por olhares externos os mais variados, tanto leigos, quanto de outros especialistas:  nossos pares, ídolos, referências, talvez amigos, alunos, discípulos, críticos e mestres na nossa área de atuação, e, até mesmo por nossos familiares... Esses últimos, talvez por carência de humildade, sejam os que menos nos reconhecerão... E isso afirmam grandes mestres, líderes e bem sucedidos nas mais diferentes áreas. Mas, é ‘vida que segue’... Ninguém jamais será unânime!

Existe um provérbio bíblico de Salomão, relatado em Provérbios 16:18 que gosto muito que diz: ‘a soberba precede a ruína, e a altivez de espírito a queda’, e ainda outro, que bem complementa o que comentamos acima: “que seja outro que te louve, não tua própria boca”- Prov. 27.2. Uau!

A maestria e o sucesso que vestem alguns despreparados espiritualmente, podem conduzir à vaidade e à soberba, essa mestra criadora de tantas ilusões... A humildade, requer equilíbrio entre o que se é, o que se gostaria de ser e, ainda, o potencial do que pode ainda ser, conforme as diferentes circunstâncias, momentos e eventos ou até mesmo o que poderia ter sido frente a diferentes decisões. Ela é, exatamente, esse discernimento que rompe as ilusões da mente vaidosa e egóica. 

O espírito excelente, por outro lado, busca o aprimoramento e a melhoria constante. E a excelência é humilde, realista, equilibrada e modesta. E como posso afirmar isso? Humildemente vejo isso naqueles que o mundo todo reconhece como sendo os mais excepcionais seres que já pisaram na terra, considerando todas as dimensões que o termo possa significar.

O ser excelente reconhece o que em si há de melhor, o que precisa ser melhorado e, sobretudo, o potencial a ser realizado e que está em aperfeiçoamento constante e interminável.  Reconhece também o talento excelente no outro. O ser humano que, tecnicamente, atingiu o maior grau de excelência em autodesenvolvimento, ao meu ver, foi Leonardo Da Vinci; e isso, em diferentes áreas. E olha só o que ele disse e como se posicionava frente à excelência:

“Eu ofendi a Deus e a humanidade, meu trabalho não teve a qualidade que deveria ter”. Leonardo da Vinci- 1452-1519

E quanto a você e a mim?  Temos sido e feito o ‘milior’ que podemos? A nossa expertise, talentos, disposição, criatividade e entrega tem honrado ao nosso próximo, a humanidade e ao nosso Criador? Pense nisto!

Grande abraço. Sucesso e Paz!

Por Dário de Carvalho – Mentor de Vida e Carreira

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